Sem computador em casa, a escritora costumava escrever à mão em bares, enquanto tomava café. Tanta demora entre o surgimento de Potter e a publicação do primeiro livro tem uma explicação nada feliz. J.K. passou por diversos problemas, desde a morte da mãe até um conturbado casamento em Portugal e enormes dificuldades financeiras. Depois da separação e de voltar à Inglaterra com uma filha pequena, ela chegou a viver graças à ajuda do governo. Mesmo assim, não desistiu. Ainda que os originais de Harry Potter e a Pedra Filosofal tenham sido recusados por várias editoras (os números variam, mas seria algo entre oito e 12), ela finalmente ganhou uma chance na Bloomsbury, que tinha acabado de criar uma divisão de livros infantis. Foi aí, aliás, que Joanne Rowling virou J.K.: a pedido da editora, que queria que ela assinasse com suas iniciais, ela inclui o K de Kathleen, um nome que não é seu, mas sim de sua avó. O primeiro livro de Harry Potter chegou às livrarias em 1997, sete anos depois daquela viagem de trem.
E o resultado foi inacreditável. Além das excelentes vendagens, vieram diversos prêmios literários e a imediata consagração mundial. Crianças e adolescentes que não tinham o hábito da leitura eram vistos devorando os longuíssimos e complexos livros de Potter e até melhoraram seu desempenho escolar. Recordes foram sendo quebrados a cada novo livro e os fãs chegavam a acampar na porta das grandes livrarias britânicas à espera da abertura das portas no dia de cada lançamento.
E, claro, o sucesso foi repetido nos cinemas. A primeira adaptação estreou em 2001 e apresentou o pequeno Daniel Radcliffe no papel do bruxo. Nos últimos nove anos, Radcliffe cresceu junto com o personagem e, agora, se prepara para a despedida. Na verdade, a última aventura, Harry Potter e as Relíquias da Morte, já foi gravada, mas será lançada em duas partes, em 19 de novembro deste ano e 15 de julho de 2011.




